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Obesidade infantil: a cada 100 crianças, 29 estão com excesso de peso no Piauí

Além da alimentação inadequada, fatores como sedentarismo, excesso de tempo em frente às telas e redução da prática de atividades físicas têm contribuído para o avanço da obesidade

18/06/2026 às 08h49

A obesidade infantil tem se tornado um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, mostram que, no Piauí, 29 em cada 100 crianças de 0 a 9 anos apresentam excesso de peso, condição que inclui sobrepeso, obesidade e obesidade grave. Ao todo, foram registrados 84.046 casos nessa faixa etária no estado.

O cenário preocupa especialistas e reforça a necessidade de mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida das famílias. Além da alimentação inadequada, fatores como sedentarismo, excesso de tempo em frente às telas e redução da prática de atividades físicas têm contribuído para o avanço da obesidade entre crianças e adolescentes.

A preocupação não é exclusiva do Piauí. O Atlas da Obesidade Infantil no Brasil (2019) traz dados do Atlas Mundial da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que o Brasil deverá ocupar a quinta posição entre os países com o maior número de crianças e adolescentes com obesidade até 2030. O estudo aponta ainda que há apenas 2% de chance de reversão desse cenário caso medidas efetivas não sejam adotadas.

Obesidade infantil: a cada 100 crianças, 29 estão com excesso de peso no Piauí - (Marcello Casal Jr./Agência Brasil) Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Obesidade infantil: a cada 100 crianças, 29 estão com excesso de peso no Piauí

O documento já mostrava, em 2019, um panorama preocupante. Na época, 227,6 mil crianças de 2 a 4 anos eram consideradas obesas e outras 273,3 mil apresentavam sobrepeso. Entre as mais de 170 mil crianças avaliadas, 64% haviam consumido bebidas adoçadas no dia anterior; 51% tinham o hábito de realizar refeições assistindo à televisão; 48% consumiam macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote ou biscoitos salgados; e 60% ingeriam biscoitos recheados, doces ou guloseimas regularmente.

Os números mais recentes do Sisvan revelam que, em 2025, o Brasil registrou 1.171.916 crianças com obesidade e 783.017 com obesidade grave. Isso representa 8,94% das crianças de 0 a 9 anos com obesidade e 5,97% com obesidade grave.

Para a nutricionista Laysse Morais, o aumento dos casos está diretamente relacionado às mudanças no estilo de vida da população.

O aumento da obesidade infantil está relacionado a uma combinação de fatores, como maior consumo de alimentos ultraprocessados, redução da atividade física, excesso de tempo em telas e mudanças no estilo de vida das famílias

Laysse Moraisnutricionista

Para ela, os hábitos alimentares inadequados, muitas vezes já vindo do contexto familiar, têm papel central nesse cenário, especialmente o consumo frequente de produtos ricos em açúcar, gorduras e sódio. Além do impacto no peso corporal, a obesidade infantil pode desencadear diversos problemas de saúde ainda na infância e aumentar o risco de doenças crônicas na fase adulta.

“A obesidade infantil aumenta o risco de problemas como hipertensão, diabetes tipo 2, alterações no colesterol, apneia do sono, etc. Também pode impactar a saúde emocional, favorecendo baixa autoestima, ansiedade, isolamento social e bullying. Além de maior probabilidade de obesidade e doenças crônicas na vida adulta”, falou.

Excesso de telas contribui para o sedentarismo

Entre os fatores que mais preocupam os especialistas, está o uso excessivo de celulares, tablets, computadores e televisão. Segundo Laysse Morais, além de reduzir a prática de atividades físicas, as telas também influenciam diretamente os hábitos alimentares das crianças.

“O uso excessivo de telas favorece o sedentarismo e reduz o tempo dedicado às atividades físicas. Além disso, muitas crianças se alimentam enquanto assistem a conteúdos, o que dificulta a percepção da saciedade. A exposição constante à publicidade de alimentos ultraprocessados também pode influenciar escolhas menos saudáveis”, destacou a nutricionista.

As telas também influenciam diretamente os hábitos alimentares das crianças - (Rogério Uchôa/Agência Pará) Rogério Uchôa/Agência Pará
As telas também influenciam diretamente os hábitos alimentares das crianças

A especialista ressalta que a prevenção deve começar nos primeiros anos de vida e envolver toda a família. A adoção de hábitos saudáveis dentro de casa é considerada uma das principais estratégias para evitar o desenvolvimento da obesidade infantil.

“A prevenção deve começar cedo, com alimentação equilibrada, incentivo à atividade física e redução do tempo de tela. Os pais têm papel fundamental nesse processo, pois as crianças aprendem pelo exemplo. Quando a família adota hábitos saudáveis, há maior chance de a criança desenvolver uma relação positiva com a alimentação ao longo da vida”, concluiu.