O empresário Francisco das Chagas Chaves, conhecido como Chico Trader, que foi preso hoje (22) em Teresina por um esquema de pirâmide financeira, afirmou em depoimento que não tem dinheiro para ressarcir as vítimas do golpe. De acordo com o delegado Luciano Alcântara, ele teria perdido todo o valor arrecadado das vítimas em operações na Bolsa de Valores, ficando sem nada no final.
“Uma parte desse dinheiro, ele disse que usou para pagar parcelas atrasadas de rendimentos de algumas vítimas. E a outra parte, ele perdeu tudo operando na Bolsa de Valores. Ou seja, ele não teria, portanto, nenhum valor para ser ressarcido às vítimas. A informação bate com o que já havíamos investigado antes com os dados que obtivemos da Xtreme Trade junto ao banco”, explicou o delegado.
Segundo Luciano Alcântara, quando a polícia teve acesso à conta da empresa de Chico e à conta pessoal dele, encontrou apenas alguns centavos. O empresário teria afirmado que fazia investimentos em renda variável. Investimentos estes que levaram todos os ganhos que ele teria e que poderia repassar às vítimas.
Retornos de 10% ao mês eram falsos
O modus operandi da Xtreme Trade, empresa de Chico Trader, é semelhante ao que a polícia desbaratou na DF Trade (ou DF Group), cujo dono, Douglas Fonseca, foi preso em Teresina. Assim como a DF Group, a Xtreme prometia aos investidores um retorno de 10% ao mês, valores que são impraticáveis no mercado financeiro brasileiro, segundo a polícia.
As transferências que as vítimas faziam a Chico Trader iam de R$ 100 mil, passando por R$ 200 mil e chegando até a R$ 1 milhão. Ao perceberem que o retorno do investimento não chegava, estes investidores procuraram pelo empresário. Mas ele desapareceu em maio de 2025 sem dar qualquer satisfação. Foi o que relatou o delegado Luciano Alcântara.
“Ele desaparece em maio de 2025 e as vítimas começam a registrar boletins de ocorrência. Nossa investigação teve início no ano passado, quando tivemos a primeira fase com cumprimento de mandados de busca e apreensão. E no mês passado, em junho, tivemos a segunda fase com cumprimentos de mandados de prisão. Duas pessoas foram presas, uma em São Luís e uma em Timon. Mas o Chico não foi encontrado”, disse.
Chico Trader estava, segundo a polícia, no Paraguai com sua companheira. O nome dele chegou a entrar para a lista de procurados pela Interpol. Na semana passada, o Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) recebeu o contato dos advogados do empresário, afirmando que ele tinha interesse em se apresentar.
Chico foi ouvido e encaminhado para audiência de custódia, permanecendo à disposição da justiça.
Vítimas eram em sua maioria do Piauí e Maranhão
A investigação da polícia constatou que o esquema chefiado por Chico Trader fez vítimas em diversos estados, mas a maior parte delas está no Piauí e no Maranhão. “Temos algo em torno de 300 vítimas no Piauí, temos vítimas em São Paulo, no Rio de Janeiro. Mas a grande maioria, cerca de 90%, se restringe ao Piauí e ao Maranhão. E temos informações de venezuelanos e colombianos, mas estes não registraram BO”, pontuou o delegado.
Luciano Alcântara diz que há uma subnotificação nestes tipos de crime porque as vítimas muitas vezes têm vergonha de admitirem para a família e pessoas próximas que caíram em um golpe. O delegado lembra que quem manteve negócios com a Xtreme Trade e a pessoa de Chico Trader deve procurar a polícia para fazer o registro caso se sinta lesado.