As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) operam em alta nesta quinta-feira (23), cotadas a R$ 43,27, com valorização de +1,62% em relação ao fechamento anterior. O movimento de alta reflete diretamente a disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã.
No pregão de hoje, os papéis da PETR4 abriram a R$ 43,40, atingiram máxima de R$ 43,41 e mínima de R$ 43,10. A variação positiva de R$ 0,69 por ação demonstra o apetite dos investidores pelo setor de petróleo em um cenário de restrição de oferta global da commodity.
Petróleo Brent dispara com conflito no Oriente Médio
O principal catalisador para a alta das ações da Petrobras é a forte valorização do petróleo tipo Brent, que avança pelo quinto dia consecutivo e já supera a marca de US$ 97 por barril. A commodity acumula alta superior a 27% desde a mínima de US$ 71,57 registrada no início de julho, quando um frágil acordo de paz foi estabelecido na região.
A escalada do conflito entre EUA e Irã voltou a praticamente fechar o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo. Além disso, ataques de forças houthis a navios-tanque no Mar Vermelho adicionam pressão sobre a oferta global da commodity, criando um cenário favorável para produtoras de baixo custo como a PETR4.
Analistas elevam recomendação para Petrobras
O cenário de preços elevados do petróleo tem levado analistas a revisarem suas projeções para a estatal brasileira. O Banco do Brasil, por exemplo, elevou recentemente sua recomendação para compra, mantendo preço-alvo de R$ 45,00 para as ações PETR4. A instituição destaca o operacional robusto da companhia e sua posição privilegiada como produtora sem exposição direta à zona de conflito.
No acumulado de 2026, as ações da Petrobras apresentam valorização expressiva, tendo iniciado o ano na casa dos R$ 30,36. A empresa também mantém sua política de distribuição de dividendos, com o último provento de R$ 0,33 por ação pago em junho deste ano.
Ibovespa recua mesmo com alta das petroleiras
Apesar do desempenho positivo da PETR4, o Ibovespa opera em baixa nesta quinta-feira, pressionado pela cautela global diante das tensões geopolíticas e preocupações com a inflação. O índice, que encerrou a sessão anterior com forte alta de 2,44% aos 177.547 pontos, recua para a faixa dos 176,5 mil pontos no início do pregão.
O avanço do petróleo reacende preocupações com uma possível pressão inflacionária global, o que pode limitar o espaço para cortes de juros nas principais economias. Os mercados também aguardam a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), com expectativa de postura mais restritiva.
Perspectivas para PETR4 no curto prazo
Para os próximos pregões, a trajetória das ações da Petrobras deve continuar atrelada à dinâmica dos preços do petróleo e aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Analistas apontam que, enquanto persistirem as restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, os preços da commodity devem permanecer em patamares elevados.
A PETR4 segue como uma das ações mais negociadas da B3, beneficiando-se de sua posição como uma das maiores produtoras de petróleo do mundo, com custos operacionais competitivos e forte geração de caixa. O dividend yield da companhia permanece atrativo, em torno de 7% nos últimos 12 meses, reforçando o interesse de investidores focados em renda.