As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) operam em queda nesta terça-feira (23), cotadas a R$ 38,95 às 10h30, registrando desvalorização de 0,56% em relação ao fechamento anterior. O movimento representa uma perda de R$ 0,22 por papel, refletindo a pressão que o setor de petróleo enfrenta no mercado global diante das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
O papel da estatal abriu o pregão cotado a R$ 38,96, praticamente estável em relação ao fechamento de segunda-feira. Ao longo da manhã, as ações oscilaram entre a mínima de R$ 38,84 e a máxima de R$ 39,12, demonstrando volatilidade moderada em linha com as incertezas do cenário internacional. A amplitude de variação de R$ 0,28 indica que investidores seguem cautelosos quanto às perspectivas de curto prazo para a commodity.
Petróleo Brent pressiona PETR4 com avanço nas negociações EUA-Irã
O desempenho negativo da PETR4 nesta sessão está diretamente relacionado à queda nos preços do petróleo Brent, principal referência para as exportações brasileiras. A commodity recuou para a faixa de US$ 76 a US$ 80 por barril, pressionada pelo otimismo crescente em torno de um possível acordo de paz entre Washington e Teerã. As negociações realizadas na Suíça, mediadas por Catar e Paquistão, estabeleceram um roteiro para um acordo final dentro de 60 dias.
A perspectiva de normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica que havia sido parcialmente bloqueada durante o conflito — alivia os temores de escassez de oferta que vinham sustentando os preços em patamares elevados. Para a Petrobras, que tem sua receita fortemente atrelada às cotações internacionais do petróleo, esse cenário representa um fator de pressão sobre as margens operacionais.
Ibovespa opera em baixa enquanto mercado digere cenário doméstico
O movimento de queda da PETR4 ocorre em um dia de cautela generalizada na bolsa brasileira. O Ibovespa futuro recuava para a região dos 171,7 mil pontos no início do pregão, com o dólar comercial subindo para R$ 5,17. O mercado também digere as sinalizações do Banco Central, que indicou que trajetórias da Selic mais próximas às previstas pelo mercado são consideradas mais adequadas.
Na sessão anterior, a Petrobras havia encerrado em alta de 0,95%, beneficiada pelo movimento de entrada de fluxo estrangeiro e pelo alívio nas tensões geopolíticas. O Ibovespa fechou segunda-feira com valorização de 1,21%, aos 170.370 pontos, recuperando o patamar dos 170 mil pontos após as negociações do fim de semana entre EUA e Irã.
Fundamentos da Petrobras seguem atrativos para analistas
Apesar da volatilidade de curto prazo, a PETR4 mantém fundamentos considerados sólidos pelos analistas de mercado. A XP Investimentos mantém recomendação de compra para as ações da estatal, destacando que a tese de investimento oferece bom retorno via geração de caixa livre e nível atrativo de dividendos, que podem superar 10% ao ano se os preços do petróleo permanecerem acima de US$ 65 por barril.
No primeiro trimestre de 2026, a Petrobras reportou lucro por ação de US$ 0,9968, superando as expectativas dos analistas. O BTG Pactual reiterou recomendação de compra com preço-alvo de R$ 62 para dezembro deste ano, projetando um Ebitda próximo de US$ 13 bilhões no período. A política de dividendos da companhia prevê distribuição de 45% do fluxo de caixa operacional menos investimentos, desde que a dívida bruta esteja dentro dos limites estabelecidos no Plano Estratégico.
No acumulado de 2026, a PETR4 apresenta valorização expressiva, tendo iniciado o ano negociada na casa dos R$ 30,36. A recente parceria firmada entre a Petrobras e o BNDES para desenvolvimento de minerais críticos e estratégicos, anunciada na segunda-feira (22), reforça a estratégia da companhia de diversificação rumo à transição energética, embora os investidores sigam monitorando de perto a evolução dos preços do petróleo no cenário internacional.