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Ibovespa recua 0,61% e opera aos 176 mil pontos nesta quinta

Principal índice da B3 abre em queda pressionado por tensões no Oriente Médio e cautela externa com gastos em inteligência artificial das big techs americanas

23/07/2026 às 10h31

23/07/2026 às 10h31

O Ibovespa opera em baixa nesta quinta-feira (23), cotado a R$ 176.472,56, com recuo de 0,61% em relação ao fechamento anterior, equivalente a uma perda de R$ 1.075,00 em pontos. O principal índice da bolsa brasileira iniciou o pregão pressionado pelo cenário externo adverso, marcado pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela cautela dos investidores globais com os gastos bilionários das gigantes de tecnologia em inteligência artificial.

Na sessão de hoje, o Ibovespa registrou abertura em R$ 176.472,56, com máxima intradiária de R$ 177.545,95 e mínima de R$ 176.472,56. O movimento de baixa ocorre após o índice ter encerrado a quarta-feira com forte alta de 2,44%, aos 177.547 pontos, interrompendo uma sequência de cinco pregões consecutivos de queda.

Tensões geopolíticas e petróleo pressionam mercados

O cenário internacional exerce pressão significativa sobre o Ibovespa nesta quinta-feira. Os preços do petróleo sobem pelo quinto dia consecutivo, com o Brent avançando cerca de 4% e aproximando-se dos US$ 98 por barril, em meio ao aumento das preocupações com a disponibilidade da oferta após ataques a navios-tanque no Mar Vermelho pelos houthis do Iêmen e confrontos entre Estados Unidos e Irã que voltaram a praticamente fechar o Estreito de Ormuz.

O avanço da commodity reacende preocupações com uma possível pressão inflacionária global, o que pode limitar o espaço para cortes de juros nas principais economias. Na B3, as ações da Petrobras (PETR4) sobem cerca de 1%, enquanto papéis de grandes bancos e varejistas operam em queda, refletindo a aversão ao risco dos investidores.

Cautela com big techs e decisão do BCE no radar

Nos Estados Unidos, os índices futuros operam em baixa nesta quinta-feira, à medida que investidores demonstram preocupação com a escalada dos investimentos em inteligência artificial pelas gigantes de tecnologia. O aumento dos gastos com infraestrutura para IA acabou ofuscando o balanço acima do esperado da Alphabet, dona do Google, reacendendo dúvidas sobre o retorno financeiro desses aportes bilionários.

As ações da companhia caíram 3% no pregão estendido depois que a controladora do Google elevou sua previsão de investimentos para 2026 para até US$ 205 bilhões. No câmbio doméstico, o dólar comercial sobe a R$ 5,08, após ter fechado a quarta-feira em R$ 5,053, no menor patamar desde 2 de junho.

Contexto técnico e perspectivas para o Ibovespa

Do ponto de vista da análise técnica, o Ibovespa voltou a negociar acima das médias móveis de 9 e 21 períodos após a forte reação da véspera, um sinal que melhora a estrutura de curto prazo. O IFR (14) está em 59,83, em região neutra, indicando que ainda há espaço para continuidade do movimento sem entrar em condição de sobrecompra.

Para que o Ibovespa mantenha o impulso positivo, analistas acompanham o rompimento da resistência em 178.340/181.560 pontos. Do ponto de vista fundamentalista, o índice é negociado a 8,3 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um patamar 21% abaixo da média histórica de 10,5 vezes, reforçando que o mercado brasileiro segue sendo precificado bem abaixo do que historicamente se considera o preço justo.

No acumulado de 2026, o Ibovespa registra alta de aproximadamente 10%, enquanto o dólar acumula queda de cerca de 8% no mesmo período. Os investidores seguem atentos à decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE) prevista para hoje, com os mercados atribuindo 80% de probabilidade de aumento de juros em setembro na zona do euro.