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Golpe da DF Trader: Polícia Civil abre formulário para vítimas registrarem prejuízos

Documento vai compor inquérito que apura suspeita de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro ligados ao esquema que prometia lucros de até 10% ao mês

16/07/2026 às 19h01

A Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), por meio da Polícia Civil (PC-PI), divulgou nesta quinta-feira (16), uma nota orientando que pessoas que se consideram vítimas do grupo DF Trader preencham formulário disponibilizado pela instituição de forma online. A empresa, conhecida também como DF Group, é investigada pelos crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Grupo suspeito de golpe milionário usava ostentação falsa com aviões e prometia lucro de 10% ao mês - (Divulgação/SSP-PI) Divulgação/SSP-PI
Grupo suspeito de golpe milionário usava ostentação falsa com aviões e prometia lucro de 10% ao mês

Segundo a SSP, o preenchimento do documento é fundamental para a individualização de cada caso, a identificação dos prejuízos sofridos pelas vítimas e o regular andamento da investigação criminal. As informações enviadas serão anexadas ao Inquérito Policial nº 7782/2026, conduzido pela delegada Marcela Sampaio, titular da Delegacia de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Relações de Consumo (Deccoterc).

Paralelamente, a Polícia Civil informou que estão sendo adotadas todas as medidas legalmente cabíveis para identificar, localizar e preservar eventual patrimônio dos investigados, com o objetivo de resguardar a efetividade de futuras decisões judiciais. A corporação esclareceu, no entanto, que os possíveis ressarcimentos das vítimas não ocorrem durante a fase de inquérito policial, dependendo da conclusão da investigação e das decisões proferidas pelo Poder Judiciário.

Polícia fez buscas em Teresina contra grupo especializado em estelionato digital e lavagem de dinheiro - (Divulgação/SSP-PI) Divulgação/SSP-PI
Polícia fez buscas em Teresina contra grupo especializado em estelionato digital e lavagem de dinheiro

Segundo a Polícia Civil, o grupo prometia retornos de até 10% ao mês por meio de supostos investimentos no mercado de capitais. Embora não fosse formalmente caracterizado como uma pirâmide financeira, o esquema operava sob lógica semelhante, dependendo da entrada constante de novos investidores para sustentar os pagamentos prometidos.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a estratégia de ostentação usada pelo principal suspeito, apontado como líder da organização, que exibia nas redes sociais carros de luxo, aeronaves, viagens e relógios caros para transmitir credibilidade e atrair novos investidores. Parte dessa exposição, segundo a polícia, era forjada, incluindo fotos em aeroportos ao lado de aviões que não pertenciam a ele.

Como denunciar

Vítimas do esquema podem formalizar a denúncia diretamente pela internet, sem necessidade de comparecimento presencial em um primeiro momento. O formulário está disponível no link https://cibernoc.lovable.app/denunciar e deve ser preenchido com os dados solicitados sobre o caso. Após o preenchimento, o documento precisa ser assinado eletronicamente por meio da conta Gov.br e encaminhado conforme as orientações indicadas na própria plataforma.

Entenda o caso

O esquema foi alvo de uma operação da Superintendência de Operações Integradas (SOI), da SSP-PI, que cumpriu 10 mandados de prisão e cerca de 20 mandados de busca e apreensão, além de determinar a suspensão das atividades da DF Group. As investigações apontam que a empresa não possuía autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no mercado de capitais, havendo inclusive processos administrativos em curso no órgão regulador.

Grupo suspeito de golpe milionário usava ostentação falsa com aviões e prometia lucro de 10% ao mês - (Divulgação/SSP-PI) Divulgação/SSP-PI
Grupo suspeito de golpe milionário usava ostentação falsa com aviões e prometia lucro de 10% ao mês

A operação resultou em bloqueios judiciais de contas e valores, além da apreensão de bens de alto valor, como relógios de luxo e veículos importados. Um escritório usado pelos suspeitos para a prática das atividades investigadas também foi interditado.

A investigação aponta que o grupo criava a impressão de atuar no mercado financeiro havia entre cinco e sete anos, embora os principais registros da empresa tenham pouco mais de dois anos de existência. A SSP-PI informou ainda que mantém contato com a Justiça e as forças de segurança de São Paulo para apurar outras possíveis investigações envolvendo o principal suspeito naquele estado.