Após declarações dos diretores do Hospital São Marcos de que o estabelecimento não teria recursos para bancar o setor de oncologia que presta serviços ao SUS, o Ministério da Saúde enviou técnicos para realizar uma auditoria nas contas do hospital filantrópico e avaliar as necessidades de recursos.
Nesta segunda-feira (20), ocorreu uma reunião entre os técnicos federais e estaduais e a Fundação Municipal de Saúde (FMS) para alinhar as ações que devem garantir o retorno pleno dos atendimentos a pacientes oncológicos que necessitam de assistência no estado.
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Atualmente, segundo a presidente da FMS, Leopoldina Cipriano, o custo mensal do Hospital São Marcos é de R$ 6,2 milhões. O município de Teresina é responsável pelo maior aporte, R$ 3,5 milhões mensais, o que corresponde a pouco mais da metade do financiamento. O Ministério da Saúde contribui com R$ 1,5 milhão e o governo do Piauí, com R$ 900 mil.
“Eles terão uma programação extensa durante toda a semana, dialogando com a FMS, com a SESAPI e com o próprio Hospital São Marcos, para garantir o retorno e definir como vai ser essa ajuda do Ministério da Saúde para a oncologia do Piauí.”, comentou a presidente da FMS, Leopoldina Cipriano.
São Marcos cobra incremento superior a R$ 4 milhões para manter os serviços
No início deste mês, o Hospital São Marcos anunciou a suspensão de novos atendimentos oncológicos, tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto para pacientes particulares. A direção da unidade atribuiu a medida às dificuldades financeiras enfrentadas pelo hospital e ao que classifica como subfinanciamento dos serviços de oncologia.
Em entrevista coletiva no início da semana passada, o diretor-geral do Hospital São Marcos reivindicou um acréscimo de R$ 4,2 milhões nos recursos destinados ao atendimento oncológico. Segundo ele, o valor permitiria ampliar a capacidade de atendimento e reduzir o déficit enfrentado pela instituição.“Houve o reconhecimento público de que o São Marcos realmente é subfinanciado. Isso é uma coisa que nós alegamos há anos”, afirmou o diretor.
FMS cobra contribuição tripartite para financiamento do serviço
Para a FMS, por se tratar de um serviço de alta complexidade, a assistência oncológica deve ter seu financiamento compartilhado entre os governos municipal, estadual e federal. De acordo com Leopoldina Cipriano, a maioria dos pacientes atendidos em Teresina vem do interior do estado, o que exigiria maior participação do governo do Piauí e da União.
"É fundamental que o Ministério da Saúde incremente o Teto MAC (média e alta complexidade) de Teresina e institua incentivo específico para a oncologia, como já ocorre em outros estados. Também é necessário que o Estado do Piauí amplie sua contribuição para fortalecer a assistência oncológica", finalizou Leopoldina Cipriano.
Ao O Dia, tanto o governo do Piauí quanto a gestão municipal de Teresina afirmaram anteriormente que os repasses destinados ao Hospital São Marcos estão sendo realizados regularmente, dentro das atribuições de cada ente.