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Guerras e clima corroem salário do piauiense e encarecem a cesta básica, avalia economista

Muitas vezes, as notícias sobre bombardeios no Irã ou conflitos na Rússia parecem distantes da realidade de quem vive no Piauí. No entanto, para o economista Francisco Souza, essa distância é apenas geográfica. Na prática, a economia globalizada faz com que cada evento internacional chegue rapidamente às prateleiras dos supermercados piauienses, corroendo o poder de compra das famílias locais.

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Guerra com Irã derruba bolsas e dispara preço do petróleo

"Em virtude dessa economia globalizada, dependemos do que acontece lá fora. As bombas que estão caindo no Irã e na guerra da Ucrânia e Rússia. Tudo isso impacta a economia mundial e afeta o custo de produção", afirma Francisco Souza em entrevista ao O Dia, destacando que a "briga dos outros" reflete diretamente no preço da gasolina e do óleo diesel pagos pelo piauiense.

O efeito dominó do mundo para a mesa do piauiense

O economista ressalta que esse cenário externo, somado a questões climáticas como o Super El Niño, cria um efeito cascata. No Piauí, o impacto é sentido na cesta básica. Quando o custo de produção sobe, seja pelo combustível ou por problemas na safra, o preço final ao consumidor aumenta, e o salário, mesmo com reajustes, não acompanha esse ritmo.

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Economista Francisco Souza em entrevista ao Sistema O Dia.

Em junho, o teresinense precisou trabalhar 12,5 dias, o equivalente a 100 horas e 6 minutos, para conseguir comprar uma cesta básica. De acordo com dados do Dieese, o custo dos itens básicos superou R$ 700, alta de quase 10% no acumulado dos últimos 12 meses.

Além disso, segundo o economista, a força das exportações brasileiras para países como a China também pressiona os preços internos. O Brasil produz muito, mas a alta demanda externa reduz a oferta de itens como a carne no mercado local, elevando o custo para o trabalhador piauiense.

A armadilha do crédito e a falta de planejamento

Diante dessa perda de valor do dinheiro, muitos recorrem ao cartão de crédito, o que Souza classifica como uma "grande armadilha" psicológica. Para ele, o uso desregrado dessa ferramenta, aliado à falta de uma cultura de educação financeira que venha desde a infância, é o que leva o cidadão ao endividamento em "bola de neve".

"Essa sensação de ter um poder de compra e você pagar para frente é uma grande armadilha. Psicologicamente, o efeito de passar o cartão é totalmente diferente de pagar com uma nota de R$ 50 ou R$ 100", alerta o economista.

O que esperar para 2026?

Para o futuro próximo, as perspectivas dependem de fatores imprevisíveis, como a duração das guerras, o comportamento do clima e o resultado das eleições presidenciais de 2026, que vão definir os rumos da política econômica.

"A projeção, mesmo com todas essas dificuldades, é que a economia do Brasil vai crescer em 2026. Vai crescer o suficiente para todo mundo ter uma renda boa? Não. Mas o cenário ainda não é desesperador", ponderou Francisco Souza