O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (8), refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados globais após a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Por volta das 10h30, o principal índice da bolsa brasileira registrava baixa de 0,70%, aos R$ 170.816,08 pontos, com variação negativa de R$ 1.204,61 em relação ao fechamento anterior.
O Ibovespa oscilou entre a mínima de R$ 170.816,08 e a máxima de R$ 172.017,56 pontos na sessão, em um pregão marcado pela volatilidade. A abertura do índice ocorreu em R$ 170.816,08, já sinalizando a pressão vendedora que domina o mercado neste início de sessão.
Conflito no Oriente Médio pressiona mercados globais
O principal fator de pressão sobre o Ibovespa nesta quarta-feira é a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. As forças americanas realizaram uma série de ataques contra o Irã na noite de terça-feira, em resposta a ataques iranianos contra três navios mercantes no Estreito de Ormuz. A Casa Branca revogou uma licença concedida ao Irã para vender petróleo, interrompendo uma frágil distensão entre os dois países que estava em vigor desde o final de junho.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o memorando de entendimento assinado com o Irã para acabar com o conflito no Oriente Médio "acabou". A declaração intensificou a aversão ao risco nos mercados internacionais, com os índices futuros americanos operando em baixa e o petróleo disparando diante das preocupações com o abastecimento global de energia.
Ata do Federal Reserve no radar dos investidores
Além do cenário geopolítico, os investidores aguardam com atenção a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). O documento deve trazer mais detalhes sobre a decisão do Federal Reserve em manter a taxa de juros dos Estados Unidos inalterada, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
O mercado avalia o tom adotado pelos dirigentes da autoridade monetária americana e continua precificando a possibilidade de uma alta adicional das taxas até o fim de 2026 para conter as pressões inflacionárias. A ata também deve mostrar como o Fed avalia o balanço de riscos entre inflação e mercado de trabalho.
Contexto do mercado brasileiro
O Ibovespa vinha de duas sessões consecutivas de queda. Na terça-feira (7), o índice recuou 0,25%, aos 172.020,68 pontos, enquanto na segunda-feira (6) a baixa foi de 0,93%, aos 172.447,58 pontos. No acumulado de julho, o índice ainda apresenta alta de 1,19%, e no ano de 2026 acumula valorização de aproximadamente 8%.
O cenário para a bolsa brasileira permanece desafiador. Segundo análise da Genial Investimentos, o Ibovespa é negociado a 8,3 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um patamar 21% abaixo da média histórica de 10,5 vezes. Apesar do desconto, a saída persistente de capital estrangeiro e a manutenção de juros elevados no Brasil — com a Selic em 14,25% — continuam pressionando o apetite por risco.
No cenário doméstico, investidores também acompanham a agenda econômica, que inclui a divulgação das vendas no varejo pelo IBGE. Na sexta-feira (10), o mercado aguarda o IPCA de junho, indicador que será determinante para as próximas decisões de política monetária do Banco Central brasileiro.