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Ibovespa recua 0,50% com tarifas dos EUA no radar

O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira (16), refletindo a cautela dos investidores após o governo dos Estados Unidos confirmar a imposição de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Por volta das 10h30, o principal índice da bolsa brasileira registrava R$ 175.129,95, uma desvalorização de 0,50%, equivalente a uma perda de R$ 880,95 em relação ao fechamento anterior.

O pregão iniciou com o índice oscilando entre a mínima de R$ 175.040,90 e a máxima de R$ 176.011,31, demonstrando a volatilidade característica de sessões marcadas por incertezas no cenário externo. A abertura foi registrada em R$ 175.129,95, praticamente no mesmo patamar da cotação atual, sinalizando que o mercado já precificava parte dos riscos desde os primeiros negócios.

Tarifas dos EUA pressionam o mercado brasileiro

O principal fator de pressão sobre o Ibovespa nesta sessão é o anúncio oficial do governo norte-americano sobre as novas tarifas comerciais. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou na noite de quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho.

De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4.200 produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos poderão ser afetados pela medida, representando aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações. Entre os itens potencialmente atingidos estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico. Produtos como carne bovina, café, terras raras e aeronaves foram incluídos na lista de exceções.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a data de 15 de julho como um "marco lastimável" nas relações entre Brasil e Estados Unidos, elevando a tensão diplomática entre os dois países. O Ministério da Fazenda estuda medidas para auxiliar empresas brasileiras que serão impactadas pelas novas tarifas.

Cenário externo adiciona volatilidade

Além das tensões comerciais com os EUA, o Ibovespa também é influenciado pelo cenário geopolítico internacional. As tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Estreito de Ormuz, continuam no radar dos investidores. Os Estados Unidos ampliaram ataques contra o Irã, enquanto Teerã advertiu que o estreito é uma "linha vermelha" e que resistirá.

No campo dos indicadores econômicos, o IPC-S da segunda quadrissemana de julho registrou alta de 0,20%, acumulando variação de 4,14% nos últimos 12 meses. O grupo Alimentação apresentou deflação de 0,33%, contribuindo para a desaceleração do índice. Já as vendas no varejo do Brasil avançaram 0,1% em maio, segundo dados do IBGE.

No mercado de juros norte-americano, dados benignos de inflação reduziram as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve neste mês para apenas 10%, ante 43% nas semanas anteriores. Esse cenário tende a beneficiar mercados emergentes no médio prazo, mas o impacto imediato das tarifas prevalece sobre o sentimento dos investidores.

Perspectivas e próximos passos

O mercado brasileiro segue atento aos desdobramentos das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O Ibovespa futuro operava em alta pela manhã, aos 178,2 mil pontos, sugerindo possível recuperação ao longo do pregão caso haja sinalizações positivas do governo brasileiro ou americano.

O dólar comercial avançava para R$ 5,08, enquanto os juros futuros operavam mistos. As ações de grandes bancos e da Petrobras são monitoradas de perto, dado seu peso significativo na composição do Ibovespa. Na semana passada, o índice havia alcançado os 178 mil pontos após dados favoráveis de inflação, mas a confirmação das tarifas interrompeu a trajetória de recuperação.

Analistas recomendam cautela nas próximas sessões, considerando que a lista completa de produtos afetados pelas tarifas ainda será publicada no Federal Register. A resposta do governo brasileiro e eventuais medidas de retaliação também podem influenciar o comportamento do mercado nos próximos dias.